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Chega na casa naquele dia...Vê deitado inerte na sala o corpo...Morto, ele pensa. Sai correndo, gritando... os vizinhos chegam assustados. "o que aconteceu, perguntam". Morto, morreu, ele responde. Planejam um belo funeral, afinal ele era muito querido. De repente o bando aparece, muitas palavras de consolo. Muita gente dizendo que o homem era... um grande homem. Ironia do destino, pois em vida diziam que era um canalha, batia na mulher e no coitado. Coitado, teve de ver seu grande homem ali naquela noite. A morte é estranha, os ruins viram heróis, pensa ele. A morte é má, pensa consigo, e ri de si mesmo. Sai caminhando pelas ruas podres da cidade, encontra um bar sujo, de paredes imundas. Pede uma cerveja. Amigos ligam perguntando se demora pra voltar pra dar andamento no funeral, diz que volta logo. Fica lembrando dos tempos do porão, se entristece lembrando do quanto sofria nas mãos daquele monstro. Lembra - se do dia que foi obrigado a beijar seus pés sujos e suados. Lembra dos socos na mãe. Chora com o copo na mão, chora pela mãe, chora por ele, chora pela falsidade de dizerem perto de si que era, aquele crápula, um homem de bem. Depois de algumas cervejas e uma cachaça, pensa em voltar pra casa pra mandar o monstro pro buraco... Alguém o vê ali, sozinho, com lágrimas tristes nos olhos, se aproxima. Conversam um longo tempo, planejam uma noite melhor. Olha de soslaio praquela mulher, fica impressionado com tamanha beleza, e assustado com tanto sofrimento nos olhos. Fazem amor por horas e horas naquela noite. Se esquece do pai monstro a enterrar no dia seguinte... No dia seguinte volta pra casa, lá se perguntam porque sumiu e não atendeu as ligações. Na hora fatídica, não pode esconder a felicidade de ver aquele lixo entrando no buraco, buraco sem volta. Choros falsos se ouve ao longe. A terra é jogada em cima do bom homem. Volta pra casa com a sensação de vitória, mesmo assim se sente vazio, não sabe ao certo o que sentir. Pega seu smartphone e liga pra ela, vão terminar o que começaram na noite anterior. A noite que fora a melhor de todas as noites...

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DE VEZ EM QUANDO VENHO AQUI, VISITAR MEU TÚMULO DE PALAVRAS. JÁ NÃO ESCREVO MAIS COMO OUTRORA. INFELIZMENTE CRESCI. O TEMPO É CRUEL, PESSOAS GRANDES PRECISAM TRABALHAR, PRECISAM PASSAR HORAS E HORAS LUTANDO POR UM SUSTENTO. JÁ NÃO SOU MAIS UM MENINO, ELES DIZEM. QUEM É QUE OLHA PRA TRÁS E SE RECONHECE? JÁ NÃO MAIS ME RECONHEÇO. RECONHEÇO QUE ALGO MUDARA EM MIM. HOJE SÓ VIM AQUI PRA VISITAR MEU DOCE TÙMULO DE PALAVRAS PERDIDAS. VENHO AQUI PRA TENTAR ME RECONHECER. NÃO TENHO INTENÇÃO DE ME DEIXAR PERDER. 
NO MUNDO HOSTIL DE HOJE, NAS RUAS, LARGADO ESTOU...SOZINHO AQUI. SOFRENDO POR MIM. ESCRAVO DE MIM. DEPENDENTE DE TI. UM PEDAÇO DE TI AQUI FICOU. TENHO UM POUCO DE VOCÊ AQUI. ESCRAVO DE TI EU SOU, EU SOU ESCRAVO DE TI. NAS RUAS LARGADO ESTOU. NAS RUAS SÓ ESTOU.